segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A Música no Culto Cristão

Para entendermos o papel que a música exerce no culto cristão, se faz necessário um exame panorâmico na Bíblia Sagrada. O modelo que buscamos seguir é bíblico, pois entendemos que a revelação é completa para orientar a Igreja de Cristo sobre como ela deve se portar na celebração do culto a Deus. Espero que este breve tratado seja útil para a edificação da Igreja de Jesus em toda a nação brasileira.

A origem da música e seu propósito

Se você quiser entender qualquer assunto, deve procurar conhecer a sua origem. Esta verdade pode ser aplicada a música. Segundo o que nos mostra a Palavra de Deus, a música teve origem no céu, sendo utilizada pelos seres celestiais para louvar ao Criador (Jó 38.04-07). Com isso, entendemos que, em sua origem, a música teve o propósito de enaltecer a Deus, sendo utilizada na celebração celestial.

Os primeiros relatos da música em nosso mundo

Em Gênesis, é relatado que a música apareceu na linhagem da Caim, com a criação dos primeiros instrumentos musicais (Gn 04.21). Sendo esta gente rebelde ao Senhor, acreditamos que este verso aponte para a primeira perversão do propósito original da música, podendo ter até mesmo sido usada para o culto idólatra. Depois deste verso, veremos apenas em Gn 31.27 a menção de “cânticos”, entretanto, mais uma vez associado com um povo idólatra. Em Gênesis, há um vazio com respeito a presença da música na vida religiosa de Abraão e seus descendentes. Somente em Êxodo veremos, pela primeira vez, o povo eleito de Deus utilizar a música na celebração (Ex 15.01).

A música no culto do Antigo Testamento

A música ganhou importância na vida religiosa dos israelitas e, aos poucos, foi sendo agregada no culto judaico. Foi criado um ministério de louvor na Tribo de Levi, que conduzia a celebração (1 Cr 25.06,07). Surgem os salmos, que são orações e cânticos que incentivavam a nação em perseverar na adoração a na obediência a Deus (ex: Salmo 150). São justamente nos salmos que encontramos as diretrizes mais claras sobre como deveria ser a utilização da música entre os israelitas:
- Os cânticos deviam ser entoados a Deus, Sl 33.01; 135.06
- Os cânticos eram acompanhados de instrumentos musicais, Sl 33.02
- As músicas eram renovadas com o tempo, Sl 33.03
- Os cânticos deveriam fazer parte dos ajuntamentos do povo, Sl 149.01
- Os cânticos eram inspirados pela revelação escrita (A Bíblia), Sl 119.54

Deus recusou-se a ouvir as canções do povo quando este vivia uma vida incorreta em Sua presença (Is 01.13). Este princípio é antigo e verdadeiro. Deus sempre verá a vida do cantor antes de avaliar a qualidade de sua música. O próprio Salvador Jesus cantou hinos em sua adoração a Deus (Mc 14.26).

A música no culto do Novo Testamento

Quando analisamos o livro de Atos dos Apóstolos e as epístolas do Novo Testamento, perceberemos que a música deixa de estar em evidência no culto a Deus. Isso não significa que a Igreja não cantava louvores, mas que não tinha a música como o centro da adoração. Isso é coerente com o que o Senhor Jesus ensinou. Segundo Ele, o Pai procura os verdadeiros adoradores, que O adoram em espírito e em verdade (Jo 04.23). Adorar em espírito significa adorar de forma espiritual, com a nova vida de justiça que recebemos de Jesus Cristo (Ef 02.01,10). Adorar em verdade significa viver pautado pela verdade, isto é, pelos ensinamentos de Jesus Cristo registrados no evangelho. É fato no Novo Testamento que a genuína adoração é a nossa vida consagrada a Deus (Rm 12.01; Ef 01.12).

A Igreja de Jesus agregou os cânticos em sua vida devocional. Em Atos, lemos que Paulo e Silas cantavam louvores a Deus (At 16.25). A Igreja alegre por sua salvação deve cantar louvores a Deus (Tg 05.13). A música cantada pelos crentes é chamada de cânticos espirituais (Ef 05.19; Cl 03.16). Um fato interessante é que não há nas epístolas nenhuma menção de que a Igreja de Jesus utilizasse instrumentos musicais nos cultos. Isso não significa que a Igreja não pode utilizar tais recursos, mas sim, que, na Nova Aliança, a verdadeira afinação e musicalidade não vêm deles, mas da vida de quem louva ao Senhor.

Conclusão

Sem querer ser exaustivo, espero que este estudo possa introduzir o assunto “louvor e adoração” e nos despertar para uma correta utilização da música no culto cristão. Nas próximas semanas, meditaremos sobre qual tipo de música deve estar presente no culto cristão e de que maneira podemos melhorar a execução deste ministério da Igreja de Jesus Cristo.


Em Cristo,
Itamar Carrijo

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