quarta-feira, 16 de junho de 2010

Personagens Bíblicos: 069 - Paulo - 02/02

PAULO
(Igual a Saulo)

Continuação ...

A igreja de Antioquia propôs-se, então, a enviar missionários aos gentios e Saulo e Barnabé, com João Marcos como auxiliar, foram os escolhidos. Esta foi uma época áurea na história da igreja. Os discípulos deram real cumprimento à ordem do Mestre: “Ide a todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura.

Os três missionários partiram para a sua primeira viagem missionária. Sairam de Seleucia, o porto de Antioquia e passaram por Chipre, que ficava a cerca de 128 Kms a sudoeste. Em Pafos, Sérgio Paulo, o proconsule romano, converteu-se, Saulo assumiu o comando e passou a ser conhecido por Paulo. Os missionários dirigiram-se depois para o continente e percorreram 10 ou 11 Kms pelo Rio Cestro acima até Perge (At 13:13), onde João Marcos abandonou a obra que faziam e voltou para Jerusalém. Os dois homens percorreram depois mais cerca de 160 Km, passando pela Panfília, pela Pisídia e por Licaónia. As três cidades mencionadas fazem parte da Antioquia da Pisídia, onde Paulo pronunciou o seu primeiro sermão (At 13:16-51; comparar com At 10:30-43). Passaram também por Icónio, Listra e Derbe. Voltaram, depois, pelo mesmo caminho, a fim de visitarem e encorajarem os convertidos e ordenarem anciães em cada cidade, para que velassem pelas igrejas que se tinham formado. De Perge, foram diretamente para Antioquia, de onde tinham partido.

Depois de aí permanecerem “durante muito tempo”, provavelmente até 50 ou 51 DC, surgiu uma grande controvérsia na igreja por causa da relação dos gentios com a lei mosaica. Com o propósito de resolverem esta questão, Paulo e Barnabé foram enviados como delegados, a fim de consultarem a Igreja em Jerusalém. O Concílio ou Sínodo que aí se reuniu (At 15), decidiu-se contra a ala judaizante; e os delegados, acompanhados por Judas e Silas, voltaram a Antioquia, levando consigo o decreto do Concílio.

Após uma pequena pausa em Antioquia, Paulo disse a Barnabé: “Vamos visitar novamente os nossos irmãos em todas as cidades onde pregámos o Evangelho do Senhor e vejamos como eles estão.” Marcos propôs-se a acompanhá-los; mas Paulo recusou-se a deixá-lo ir. Barnabé estava resolvido a levar Marcos e, assim, ele e Paulo tiveram uma grande discussão. Acabaram por se separar e nunca mais se encontraram. Paulo, contudo, mais tarde, fala de Barnabé com respeito e pede a Marcos que venha ter com ele a Roma (Cl 4:10; 2Tm 4:11).

Paulo leva Silas consigo, em vez de Barnabé e inicia a segunda viagem missionária em 51 DC. Desta vez foi por terra, revisitando as igrejas que já tinha fundado na Ásia. Mas ele ansiava por pregar em “regiões mais distantes” e ainda foi até à Frígia e à Galácia (At 16:6). Contrariamente às suas intenções, ele foi obrigado a permanecer na Galácia por causa de uma “fraqueza da carne” (Gl 4:13, 14). A Bitínia, uma populosa província nas margens do Mar Negro, estava agora no seu horizonte e Paulo desejou lá ir; mas foi-lhe vedado o caminho, pois o Espírito o guiou noutra direcção. Dirigiu-se às margens do Egeu e chegou a Troas, na costa noroeste da Ásia Menor (At 16:8). Da viagem entre Antioquia e Troas não existe qualquer registo, a não ser algumas referências que lhe são feitas na Epístola de Gálatas (At 4:13).

Enquanto esperava em Troas pelas indicações de Deus quanto ao que deveria fazer a seguir, ele teve uma visão de um homem natural da Macedónia. Este apareceu perante ele e disse-lhe: “Passa à Macedónia e ajuda-nos” (At 16:9). Paulo reconheceu na visão uma mensagem de Deus. Passou por Helesporto, que o separava da Europa e levou as novas do Evangelho até ao mundo ocidental. Na Macedónia, abriu igrejas em Filipos, Tessalónica e Bereia. Deixando esta província, Paulo seguiu para Acaia, “o paraíso das pessoas de renome e génio.” Chegou a Atenas mas partiu depois de uma breve estadia (At 17:17-31). Os atenienses receberam-no com um frio desdém e ele não visitou mais a cidade. Seguiu para Corínto, a sede do governo romano na Acaia e aí permaneceu durante um ano e meio, sendo bastante bem sucedido. Enquanto lá esteve, escreveu as suas duas epístolas à igreja de Tessalónica, as suas primeiras cartas apostólicas e depois viajou para a Síria, a fim de conseguir chegar a tempo da realização da festa do Pentecostes, em Jerusalém. Estava acompanhado por Áquila e Priscila, que ficaram em Éfeso, onde ele chegou após uma viagem de treze ou quinze dias. Aportou em Cesareia e dirigiu-se a Jerusalém. Tendo “saudado a Igreja” que ali se encontrava, festejou o Pentecostes e partiu para Antioquia, onde permaneceu “por algum tempo” (At 18:20-23).

Iniciou, então, a sua terceira viagem missionária. Viajou por terra, percorrendo as “regiões superiores” (as regiões mais orientais) da Ásia Menor e chegando a Éfeso, onde ficou durante três anos, envolvido constantemente na obra de Deus. “Esta cidade era, naquele tempo, a Liverpool do Mediterrâneo. Possuía um porto esplêndido, onde se concentrava todo o tráfico marítimo, sendo, também, uma importante via marítima para todo o mundo; e, assim como Liverpool tem à sua volta as grandes cidades do condado de Lancashire, também Éfeso tinha a rodeá-la as cidades que são mencionadas, juntamente com ela própria, no livro de Apocalipse: Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardo, Filadélfia e Laodiceia. Era uma cidade muito rica e dada a toda a espécie de prazer, sendo famosa pelos seus teatros e hipódromos.” Ali se lhe abre uma porta bem eficaz. Os seus auxiliares ajudaram-no na sua obra, levando o Evangelho até Colosso e Laodiceia e a outros lados onde conseguiram chegar.

Pouco depois da sua partida de Éfeso, o apóstolo escreveu a sua Primeira Epístola aos Coríntios. Os ourives que trabalhavam a prata e faziam pequenas imagens, sentiram-se em perigo e organizaram um motim contra Paulo. Este saiu da cidade e seguiu para Troas (2Co 2:12), donde partiu para se encontrar com Tito na Macedónia. Aqui, em consequência do relatório que Tito lhe trouxera de Corínto, ele escreveu a sua Segunda Epístola àquela igreja. Tendo passado, provavelmente, a maior parte do Verão e do Outono na Macedónia visitando aí as igrejas, especialmente as de Filipos, Tessalónica e Bereia, talvez até penetrando mais para o interior, até às margens do Adriático (Rm 15:19), dirigiu-se à Grécia, onde permaneceu durante três meses, passando talvez a maior parte do seu tempo em Corínto (At 20:2). Durante a sua permanência na cidade, escreveu a sua Epístola aos Gálatas e também a grande Epístola aos Romanos. Três meses depois, deixou a Acaia e foi para a Macedónia, passando pela Ásia Menor e chegando a Mileto, onde discursou para os prebisteros efésios, a quem ele mandara dizer que desejava reunir-se com eles (At 20:17). Viajou depois para Tiro, chegando finalmente a Jerusalém, talvez na primavera de 58 DC.

Enquanto esteve em Jerusalém, na festa do Pentecostes, quase foi morto pelos judeus, no templo. Salvo daquela violência pelo comandante romano, foi levado como prisioneiro para Cesareia onde, por diversas razões, ele ficou detido durante dois anos no pretório de Herodes (At 23:35). “Paulo não foi mantido em total reclusão; ele tinha, pelo menos, a fileira de barracas onde estava detido. Podemos imaginá-lo a percorrer as plataformas que o levavam até ao Mediterrâneo e a olhar melancolicamente por sobre as águas na direção da Macedónia, da Acaia e de Éfeso, onde os seus filhos espirituais se sentiam quebrantados por causa dele, ou talvez se deparassem com perigos e, desse modo, precisassem desesperadamente da sua presença. Foi uma providência misteriosa que assim salvaguardou as suas energias e condenou o ardente obreiro à inatividade, embora nós agora possamos ver qual a razão para que tal acontecesse. Paulo necessitava de descanso. Após 22 anos de incessante evangelização, ele precisava de tempo livre para recolher a colheita da experiência… Durante estes dois anos, ele nada escreveu; foi um tempo de atividade mental e de um progresso silencioso.”

Ao fim desses dois anos, Pórcio Festo sucedeu a Félix no governo da Palestina e o apóstolo foi novamente ouvido por ele. Mas julgando ter o direito de reclamar o privilégio de um cidadão romano, ele apelou para o imperador (At 25:11). Tal apelo não podia ser passado por alto e Paulo foi enviado para Roma, à guarda de um tal Júlio, um centurião da “Corte Augusta.” Após uma longa e perigosa viagem, ele acabou por chegar à cidade imperial provavelmente no princípio da primavera de 61 DC. Aqui, foi-lhe permitido que ocupasse a sua própria casa alugada, sob constante custódia militar. Este privilégio foi-lhe concedido, sem dúvida, porque ele era um cidadão romano e, por isso, não poderia ser preso sem antes ter sido julgado. Os soldados que guardavam Paulo eram mudados frequentemente e, assim, ele teve oportunidade de pregar o Evangelho a muitos deles durante esses “dois anos inteiros”, obtendo a bênção de ver o interesse pelo Evangelho espalhar-se por entre a guarda imperial e até mesmo chegar à casa de César (Fp 1:13). Ele era procurado tanto por judeus como por gentios (At 28:23, 30, 31) e, deste modo, o seu encarceramento “tornou-se num meio de propagação do Evangelho” e a sua “casa alugada” transformou-se no centro de uma influência piedosa que se espalhou por toda a cidade. De acordo com a tradição judaica, a casa estava situada perto do atual bairro de residência obrigatória para os judeus, que tem sido o bairro judeu em Roma desde os tempos de Pompeu até aos dias de hoje. Durante este período, o apóstolo escreveu as suas Epístolas aos Colossenses, aos Efésios, aos Filipenses, a Filémon e provavelmente aos Hebreus.

O primeiro encarceramento terá chegado ao fim e Paulo foi declarado inocente, talvez porque não surgiram testemunhos contra ele. Mais uma vez ele voltou à sua obra missionária, indo visitar a Europa Ocidental e Oriental e a Ásia Menor. Durante este período de liberdade, ele escreveu a sua Primeira Epístola a Timóteo e a Epístola de Tito. O ano da sua libertação coincidiu com o incêndio de Roma, que Nero achou conveniente atribuir aos cristãos. Paulo é preso e é mais uma vez levado para Roma como prisioneiro. Durante este encarceramento, teria escrito a Segunda Epístola a Timóteo, a última que ele escreveu. “Não poderá haver grandes dúvidas sobre o fato de ele ter comparecido novamente no tribunal de Nero e de, desta vez, ter sido considerado culpado. Em toda a história, não pode haver mais aterradora ilustração da ironia da vida humana do que a cena de Paulo perante o tribunal de Nero. No julgamento, vestido de púrpura, estava um homem que, num mundo perverso, atingira a fama de ser o pior e o mais malvado ser que existia, um homem maculado com todos os crimes, um homem cujo ser estava tão impregnado de todos os vícios imagináveis e inimagináveis, que o seu corpo e a sua alma eram, tal como disse alguém naquele tempo, nada mais do que um conjunto de lama e sangue; e no banco dos acusados estava o melhor homem que o mundo conheceu, os seus cabelos encanecidos pelos trabalhos que realizara para o bem dos homens e para a glória de Deus. O julgamento terminou: Paulo foi condenado e entregue ao carrasco. Foi levado para fora da cidade, levando atrás de si a população mais baixa. Chegaram ao local fatal; ele ajoelhou-se ao lado do tronco; o machado do carrasco brilhou ao sol e caiu; e a cabeça do apóstolo do mundo rolou na poeira” (provavelmente em 66 d.C.), quatro anos antes da queda de Jerusalém.

Fonte: [http://www.mundobiblico.net/]

Em Cristo,
Itamar

Nenhum comentário:

Postar um comentário