quarta-feira, 16 de junho de 2010

Personagens Bíblicos: 069 - Paulo - 01/02

PAULO
(Igual a Saulo)

Nasceu mais ou menos na mesma altura que Cristo. O seu nome da circuncisão era Saulo e provavelmente foi-lhe também dado na infância o nome de Paulo “para que o usasse no mundo gentílico”, assim como “Saulo” seria o nome hebraico. Era natural de Tarso, a capital da Cilícia, uma província romana, a sudeste da Ásia Menor. Esta cidade ficava nas margens do Rio Cidro, que era navegável até aqui, formando-se, assim, um vasto centro de tráfego comercial com muitos países ao longo das praias mediterrânicas e também com países da Ásia Menor Central. Tornou-se, deste modo, numa cidade que se distinguiu pela riqueza dos seus habitantes.

Tarso era também a sede de uma famosa universidade com uma reputação ainda maior do que as universidades de Atenas e Alexandria, as outras universidades que existiam na altura. Aqui nasceu Saulo e aqui passou a sua juventude, sem dúvida gozando da melhor educação que a sua cidade natal podia oferecer. O seu pai pertencia à facção judaica mais estrita - os Fariseus. Era da tribo de Benjamim, de sangue judeu puro e não misturado (At 23:6; Fp 3:5). Nada sabemos sobre a sua mãe; mas existem razões para concluir que ela era uma mulher pia e que exerceu toda a sua influência materna na moldagem do carácter do seu filho. É isso que, mais tarde, ele pôde dizer de si próprio: que, desde a sua infância, era “segundo a justiça que há na lei, irrepreensível” (Fp 3:6).

Lemos sobre a sua irmã e o filho desta (At 23:16) e sobre outros familiares (Rm 16:7, 11, 12). Embora judeu, o seu pai era um cidadão romano. Não se sabe como conseguiu este privilégio. “Pode ser comprado, ou ganho através de serviços notáveis para o Estado, ou adquirido de várias outras maneiras; de qualquer maneira, o seu filho nascera livre. Era um privilégio valioso e que se provou ser muito últil para Paulo, embora talvez não da maneira que o seu pai imaginara.” Talvez a carreira mais natural para ele seguir fosse a de mercador. “Mas ficou decidido que… ele deveria ir para a universidade e tornar-se um rabi, ou seja, um ministro, um professor e um advogado, tudo congregado sob um único título.”

De acordo com o costume judeu, contudo, ele aprendeu um ofício, antes de entrar propriamente na preparação mais direta para aquela sagrada profissão. O ofício em que se formou foi o de fazer tendas a partir de tecidos de pele de cabra, um ofício que era muito comum em Tarso.

Tendo-se completado a sua educação preliminar, Saulo foi enviado, quando tinha cerca de treze anos, para a grande escola judaica relacionada com a instrução sagrada, em Jerusalém, como estudante da lei. Foi aluno do aclamado Rabi Gamaliel e lá passou muitos anos num estudo elaborado das Escrituras e das muitas questões relacionadas com elas e com as quais os rabis se exercitavam. Durantes estes anos de estudo diligente, ele viveu “em toda a boa consciência”, sem se deixar corromper por qualquer dos vícios daquela grande cidade.

Quando terminou os estudos, ele teria deixado Jerusalém e voltado para Tarso, onde é provável que, por alguns anos, se tenha envolvido em algo relacionado com a sinagoga. Volta à Jerusalém pouco depois da morte de Cristo. Aí, inteira-se dos pormenores relacionados com a crucificação e o nascimento da nova seita dos “Nazarenos”.

Durante os dois anos a seguir ao Pentecostes, o Cristianismo foi calmamente espalhando a sua influência em Jerusalém. Estevão, um dos sete diáconos, deu um testemunho público mais aguerrido de que Jesus era o Messias e isto conduziu a uma maior excitação entre os judeus e a uma maior disputa nas suas sinagogas. Estevão e os seguidores de Cristo foram perseguidos e Saulo teve, nessa altura, um papel proeminente. Nesse momento, era provável que ele fosse membro do Grande Sinédrio e se tivesse tornado num líder ativo na furiosa perseguição, através da qual os governantes procuravam exterminar os Cristãos.

Mas o objetivo desta perseguição também falhou. “Os que fugiram, iam por todo todo o lado pregando o Evangelho.” A fúria do perseguidor foi, desse modo, ainda mais estimulada. Ouvindo que alguns fugitivos se tinham refugiado em Damasco, ele obteve do sumo sacerdote cartas que o autorizariam a perseguir esses cristãos. Era uma viagem de 208 Kms e que duraria talvez seis dias. Durante esse tempo, ele e os seus ajudantes caminharam com um passo firme, “respirando ameaças e morte.” Mas a crise da sua vida estava ali à mão. Ele chegara ao último estádio da sua viagem e Damasco já aparecia no horizonte. Saulo e os seus companheiros continuaram mas foram rodeados por uma luz brilhante. Saulo caiu por terra, aterrorizado. Uma voz soou aos seus ouvidos: “Saulo, Saulo, porque me persegues?” O Salvador ressuscitado ali estava, vestido com o traje da sua humanidade glorificada. Em resposta à ansiosa pergunta do perseguidor atingido, ‘Quem és tu, Senhor?’, Ele respondeu: “Eu sou Jesus a quem tu persegues” (At 9:5; At 22:8; At 26:15).

Este foi o momento da sua conversão, o mais solene da sua carreira. Cego por causa da luz ofuscante (At 9:8), os seus companheiros conduziram-no para a cidade onde, absorto em profundos pensamentos durante três dias, ele não bebeu nem comeu (At 9:11). Ananias, o discípulo que vivia em Damasco, foi informado, através de uma visão, da mudança que ocorrera na vida de Saulo e foi enviado para lhe devolver a vista e batizá-lo na igreja de Cristo (At 9:11), talvez para o “Sinai da Arábia,” provavelmente com o propósito de estudar e meditar na maravilhosa revelação que lhe fora feita. “Um véu de profunda escuridão paira sobre a sua visita à Arábia. Nada se sabe dos locais por onde andou, dos pensamentos e ocupações em que se envolveu enquanto lá esteve, nem das circunstâncias da crise que deve ter modelado todo o curso da sua vida posterior. Diz Paulo: “Imediatamente me dirigi à Arábia.” O historiador passa por cima deste incidente (comparar com At 9:23 e 1Rs 11:38, 39). É uma pausa misteriosa, um momento de suspense na história do apóstolo, uma calma que precede a tumultuosa tempestade que foi a sua ativa vida missionária.” Voltando, depois de três anos, a Damasco, ele começou a pregar o Evangelhoousadamente no nome de Jesus” (At 9:27) mas logo foi obrigado a fugir (At 9:25; 2Co 11:33) dos judeus e a refugiar-se em Jerusalém. Ali ele se demorou durante três semanas mas foi novamente forçado a fugir (At 9:28, 29) da perseguição. Volta à sua Tarso natal (Gl 1:21) onde, durante provavelmente cerca de três anos, o perdemos de vista. Ainda não chegara o tempo em que ele deveria iniciar o seu trabalho de pregação do Evangelho aos gentios.

Com o tempo, a cidade de Antioquia, a capital da Síria, tornou-se no cenário de uma grande atividade cristã. Aí, o Evangelho andou firmemente pelo seu próprio pé e a causa de Cristo prosperou. Barnabé, que fora enviado de Jerusalém para Antioquia, a fim de aí superintender toda a obra, viu que era trabalho demais para si e, lembrando-se de Saulo, dirigiu-se a Tarso à sua procura. Saulo respondeu prontamente ao chamado que lhe foi dirigido e foi para Antioquia que, durante “um ano inteiro” se tornou no centro dos seus trabalhos, tendo sido coroado de êxito. Os discípulos foram aí chamados “cristãos” pela primeira vez (At 11:26).

Continua ...

Em Cristo,
Itamar

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