quinta-feira, 3 de junho de 2010

Personagens Bíblicos: 009 - Jacó

JACÓ

Jacó desviou-se do caminho da vida por meio de maquinações, enganos e ataques. Quando as coisas não andavam como ele queria, encontrava um jeito de manipular as circunstâncias. A forma de agir com o irmão Esaú (Gn 25 e 33), com o pai Isaque (Gn 27) e com o tio Labão (Gn 29-31) ilustra a esperteza de Jacó e suas táticas agressivas.

Por algum motivo, no entanto, Jacó utilizava sua sagacidade apenas para manipular o mundo fora do lar. Era tão passivo dentro de casa quanto agressivo fora dela, e isso contribuiu para a construção de um ninho terrível de dor, frustração, competição, raiva e ódio. Uma rápida análise desses conflitos já nos revela muito acerca do líder que concentra todos os esforços no mundo exterior e negligencia as questões internas.

Temos que reconhecer que Jacó enfrentou muitas dificuldades para formar sua família. Labão prometeu a Jacó a filha mais nova, mas o enganou e deu-lhe primeiro a filha mais velha em casamento. Os problemas maiores, porém, começaram após os casamentos. Lia, a mulher mais velha e desprezada, teve um filho a quem chamou Rubem, pois pensava: “O Senhor viu a minha infelicidade. Agora, certamente o meu marido me amará” (Gn 29:32). A mesma esperança insípida ela alimentou com a chegada do segundo (v. 33) e do terceiro filho (v. 34). Lia era um trágico retrato de dor, ódio e desapontamento.

Depois foi a vez de Raquel. Ela era a esposa amada, mas se sentiu ameaçada quando viu que a irmã tinha filhos enquanto ela era incapaz de conceber. Quando expressou sua insegurança a Jacó, ele “ficou irritado” (Gn 30:02). Em desespero, Raquel entregou sua serva a Jacó, e ela lhe deu um filho. Raquel lhe deu o nome de , dizendo: “Deus me fez justiça ... “ (v. 6). Sua reação ao segundo filho de Bila foi igualmente mordaz (v. 8). Lia então elevou o valor das apostas e também acrescentou sua serva à confusão. O conflito chegou às raias do ridículo quando Lia pagou a Raquel pelo privilégio de passar uma noite com o próprio marido (v. 16). Jacó, por se negar a agir como um marido sensível, constrangeu as quatro mulheres a uma vida deplorável.

A novela continuou com os doze filhos que as quatro mulheres geraram. Jacó alimentava a rivalidade e o ciúme entre os irmãos ao favorecer abertamente José, o primeiro filho de Raquel, e desprezar os outros filhos (Gn 37:03-04) – tanto que os irmãos de José o odiavam (v. 5, 11). O ódio deles tornou-se tão intenso que acabaram vendendo José como escravo ao final de um doloroso ato de traição (v. 12-36).

O líder passivo não se preocupa em afirmar aos indivíduos quanto é valiosa a contribuição deles. Não se empenha em resolver os conflitos que impedem o povo de abraçar suas tarefas. Tampouco se importa com o fato de que colaboradores valiosos sejam marginalizados ou excluídos de projetos por superiores ou colegas invejosos. O líder que ouve os rumores e pensa: “Isso é problema deles, que resolvam!” está pavimentando o caminho para a disfunção organizacional – e para o desastre inevitável.

Em Cristo,
Itamar Carrijo

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