domingo, 14 de fevereiro de 2010

Avatar e o Panteísmo

Depois de vários sucessos cinematográficos como Exterminador do Futuro e Titanic, James Cameron trouxe à existência outra belíssima obra cinematográfica, o filme Avatar, que após bater vários recordes de bilheteria e faturamento, concorrerá a nove estatuetas do Oscar este ano.

por Eliel Vieira

A história futurística acontece em algum lugar longínquo próximo à estrela Alpha Centauri. Lá, militares humanos (americanos, claro) travam uma guerra contra os habitantes nativos, os Na’vi, por causa dos recursos naturais existentes em Pandora, planeta (sic) onde habitam os Na’vi. “Avatar” se refere aos corpos humanos-Na’vi criados pelos seres humanos, que capacita qualquer terráqueo a ter o mesmo tamanho, velocidade, aparência e força do que um Na’vi comum. Por trás da guerra pelos recursos naturais de Pandora, se desenvolve uma trama de deserção e amor entre um humano e uma Na’vi.

Tenho lido recentemente por parte dos cristãos muitas críticas (injustas a meu ver) a este filme. A principal destas críticas é a que Avatar prega alguma espécie de Panteísmo em sua história e, assim, criticam os cristãos, o filme deve ser evitado ou (1) por ser herético, ou (2) por gerar confusão na mente daqueles que o assistem.
Nota do Cegueira Espiritual:
Para quem não sabe, o termo Painteísmo significa uma crença que identifica o universo
(em grego: pan,tudo) com Deus (em grego: theos).

Meu texto é uma resposta rápida, curta e direta a esta crítica.
 
Em primeiro lugar, Avatar é uma obra de ficção e deve ser tratada como tal. Avatar não é (nem a priori, nem a posteriori) uma obra de apologia a algum pensamento religioso particular, muito menos um tratado teológico.
 
É correto dizer, sim, que na história de Avatar o “sobrenatural” se assemelha mais à visão Panteísta de mundo do que ao Teísmo Clássico defendido pelos cristãos. Porém, Avatar não foi o primeiro filme a fazer isto. A série Guerra nas Estrelas (minha favorita, aliás) já ensinava um Panteísmo semelhante com o poder da “Força” (“Luke, que a Força esteja com você!”). E não foi apenas o Panteísmo já foi pressuposto em filmes americanos, o filme Sinais (estrelado por Mel Gibson) possui uma mensagem claramente cristã (eu diria até calvinista-determinista) em sua história. E, por falar em calvinismo, quem não conseguiu identificá-lo no recente filme Presságio (estrelado por Nicolas Cage)?

Eu não vejo tantos problemas assim em um filme (ou qualquer peça artística que tenha como objetivo principal entreter as pessoas) levar em consideração em sua história alguns pensamentos religiosos – sejam eles quais forem. Quando explorado pela arte, o mistério por trás do qual Deus se esconde, toma outra forma. Ele mexe com nossa imaginação, e também com nossas emoções. Especulações religiosas enriquecem qualquer filme. Quantos cristãos (inclusive os que criticam Avatar) não se emocionaram com o clássico filme Ghost: do outro lado da vida, apesar de ele pressupor uma visão “espírita” de mundo?

Eu particularmente gostei bastante de Avatar, e não precisei, para isto, começar a acreditar no Panteísmo, assim como não passei a acreditar na existência de bruxos quando vi a série Harry Potter, nem na existência de Trolls quando li Senhor dos Anéis, nem a existência de Faunos quando li As Crônicas de Narnia. No que se refere a “religião”, os filmes de entretenimento são para mim completamente inofensivos. Ademais, não há motivos para acreditar que Cameron queria fazer apologia ao Panteísmo. O mesmo Cameron que se utilizou do Panteísmo em Avatar utilizou o conceito cristão de “vida após a morte” para enfeitar o final de Titanic.

Em segundo lugar, eu acho que os cristãos (tanto os americanos quanto os brasileiros) têm mais com o que se preocupar além de criticar filmes de entretenimento que pressupõem pensamentos religiosos diferentes dos deles (neste caso, “nossos”). O maior mercado pornográfico do mundo vem dos Estados Unidos, da mais influente nação “cristã” do mundo e, convenhamos, existe muito mais heresia nos programas de TV evangélicos atuais do que em Avatar.

É muito mais urgente tirar um Malafaia ou um Macedo da TV do que impedir que as pessoas assistam Avatar. O filme de Cameron não pretende apresentar uma visão espiritual de mundo como verdadeira, mas as heresias que os pastores ladrões pregam na TV, eles pregam com o intuito objetivo de que as pessoas acreditem nelas; e, infelizmente, muitos acreditam!

Olha que incoerência cristã: prefere-se criticar filmes não-cristãos por eles não serem cristãos do que criticar cristãos que não agem como cristãos.

Eu resumiria esta segunda crítica minha da seguinte forma: temos mais com o que nos preocupar para podermos nos dar ao luxo de criticar aquilo que sequer deveria ser criticado. Não se pode exigir de Avatar um conhecimento teológico correto assim como não se deve exigir de uma criança de seis anos que ela consiga resolver cálculos matemáticos para os quais ela não tem capacidade de resolver.

Concluo, portanto, que Avatar foi um grande filme – em todos os sentidos o filme surpreendeu as minhas expectativas – e que as críticas cristãs a ele são desprovidas de senso.

Fonte [blog do autor]

Em Cristo,
Itamar Carrijo

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