domingo, 21 de setembro de 2014

O bom humor necessário

Um elemento essencial no processo de desenvolvimento da intimidade conjugal é o bom humor. O termo intimidade, aqui, não tem o sentido de sexualidade que muitas vezes lhe é atribuído, mas sim o de um encontro significativo, descrito pelo filósofo austríaco Martin Buber como algo que está além do subjetivo, aquém do objetivo, sobre a estreita serra onde se encontram o “eu” e o “tu”- o reino do “nosso”. Essa realidade, proveniente do encontro de duas pessoas, mostra o caminho que leva para além do individualismo e do coletivismo, a fim de chegar a um modelo relacional único.

Muitas tensões relacionais produzidas nas falhas de comunicação diárias, seja pelas limitações das palavras, seja pela ansiedade que bloqueia um ouvir pleno ou por qualquer outro motivo, poderiam ser diluídas com uma pitada de bom humor no relacionamento conjugal.

Há casais que jamais riem juntos. Muitos têm dificuldades de rirem de si mesmos e das trapalhadas do dia a dia. Fazemos e falamos muitas coisas equivocadas no nosso convívio diário e precisamos aprender a relaxar por meio do humor.

O terapeuta de casais e da família Jorge Maldonado afirma que nas famílias funcionais há um clima em que as pessoas se gostam, se divertem juntas. Em contraposição, as famílias disfuncionais demonstram menos energia e espontaneidade, e um tom de depressão e desesperança invade as interações e limita o desenvolvimento. O autor alerta que o excesso de seriedade pode tornar o convívio familiar destrutivo. 

Um casal de noivos, foi convidado para uma festa de aniversario na casa de um amigo cuja família era extremamente rígida e com pouca abertura para o humor. Na hora da despedida, o vestido dela acidentalmente esbarrou e um copo de cristal que estava na borda de uma mesa de centro. O copo caiu e quebrou. Houve um silêncio geral na sala e a dona da casa ficou parada à porta, apenas olhando com uma expressão séria. A garota ainda tentou catar os cacos e fazer algo para remediar a situação. Como todos ficaram muito sérios, o rapaz a tomou pela mão, se despediram e foram embora, com a sensação de terem cometido um crime hediondo. É o que acontece quando falta o bom humor nas famílias.

Criei um neologismo para tais casais e famílias – chamo-os de “famílias Hardy”, em alusão ao personagem do desenho animado Lippy e Hardy – o leão, otimista, e a hiena, pessimista –, no qual a hiena (Hardy) sempre acha que tudo vai terminar mal e só vê o lado negativo em tudo (“Oh dia, oh tristeza, oh azar…”).

O bom humor permite que uma família rompa o círculo vicioso da retroalimentação, que origina e mantém crônicos os problemas. É preciso brincar; com os filhos – sentar no chão, brincar de esconde-esconde pela casa ou outras brincadeiras criativas – e também com o cônjuge – fazer cócegas, correr na chuva ou coisas semelhantes.

Mesclar o bom humor e a brincadeira com a ternura e a expressão de carinho aprofunda os vínculos e a unidade conjugal. Afinal não é à toa que o apóstolo Paulo, repetidamente, exortava: “Alegrai-vos!” (Filipenses 3.1; 4.4). 

Fonte: Revista Ultimato – Edição 340 – Coluna Casamento e Família

Em Cristo,
Itamar Carrijo

sábado, 26 de julho de 2014

Vinho novo em odres velhos


"Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha, porque semelhante remendo rompe a roupa, e faz-se maior a rotura. Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam". (Mateus 09:16-17)

A vinda de Jesus introduziu uma nova época no relacionamento de Deus para com os homens. Chegou a hora de deixar para trás não só a velha religião, mas o velho homem e as velhas idéias sobre Deus

Jesus não rejeitou a caridade, a oração e o jejum em si (Mateus 06:01-18), mas atos feitos por motivos errados. A Lei de Moisés devia ser cumprida (Mateus 05:17), porém ela tinha um propósito maior que poderia alterar de forma surpreendente o que seria seu legítimo cumprimento.

"Naquele tempo passou Jesus pelas searas, em um sábado; e os seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas, e a comer. E os fariseus, vendo isto, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer num sábado. Ele, porém, lhes disse: Não tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele e os que com ele estavam? Como entrou na casa de Deus, e comeu os pães da proposição, que não lhe era lícito comer, nem aos que com ele estavam, mas só aos sacerdotes? Ou não tendes lido na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa? Pois eu vos digo que está aqui quem é maior do que o templo. Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes. Porque o Filho do homem até do sábado é Senhor. E, partindo dali, chegou à sinagoga deles. E, estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada; e eles, para o acusarem, o interrogaram, dizendo: É lícito curar nos sábados? E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que tendo uma ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela, e a levantará? Pois, quanto mais vale um homem do que uma ovelha? É, por conseqüência, lícito fazer bem nos sábados. Então disse àquele homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e ficou sã como a outra". (Mateus 12:01-14); "E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado". (Marcos 02:27). 


Podemos ser fiéis às formas e preservar todos os padrões, e ainda assim adorar a Deus totalmente em vão: "Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens". (Mateus 15:07-09). Jesus nos ensinou que formas e padrões são sagrados somente na medida em que conservam o propósito original de Deus. Jesus veio chamar o povo a dedicar a Deus o que Ele mais quer – nossos corações. 

Qual a bagagem que nós precisamos deixar? Você já examinou o tecido da sua fé? Às vezes ele contém pedaços muito queridos do passado, dos nossos pais e avós e líderes espirituais. É justamente o apego a estes remendos que acaba enfraquecendo o pano novo que Jesus quer costurar em nossas vidas. A única vida que vale é aquela que é cem por cento Jesus! Jesus em nosso atos. Jesus em nossas palavras. E, acima de tudo – Jesus em nossos corações. Jesus mexe e transforma. 

Você pode estranhar as mudanças no começo, mas quando Jesus tiver concluído você vai adorar. Pois quando Ele terminar, você será o que foi criado para ser – uma nova criatura. Que Jesus possa encher completamente o seu coração e sua vida. Basta você O convidar, pois Ele já está à porta.

Em Cristo,
Itamar Carrijo


segunda-feira, 28 de abril de 2014

De volta ao caminho


Saudade imensa de vocês.

Após um período de grandes mudanças, onde o Senhor priorizou outras tarefas, finalmente estaremos de volta em breve com as postagens que o Espírito Santo do Senhor nos conceder publicar.

Mesmo em quase um ano de inatividade, para nossa mais absoluta surpresa, triplicamos o número de seguidores, o que nos deixa sem palavras para expressar nosso agradecimento pelo apreço de tantos.

Obrigado a todos que nos prestigiaram e o continuam fazendo.

Em breve estaremos com carga total.

Em Cristo,
Itamar Carrijo

domingo, 2 de junho de 2013

Pecadores nas Mãos de um Deus irado.

O Cegueira Espiritual traz até vocês um dos mais famosos sermões da História.

Este sermão, pregado em 08 de Julho de 1741 por Jonathan Edwards, nos traz uma mensagem impactante que vai crescendo e nos atingindo de maneira extraordinária.

Estamos muito acostumados a ouvir sobre a Graça, a Misericórdia e o Amor de Deus. Mas é necessário que lembremos que há mais que isso. Não podemos mais sermos os mesmos se realmente refletirmos a respeito do que é dito sobre o furor da ira de Deus, nem ficarmos impassíveis, calados, omissos, como se esse contexto não se aplicasse a nós.


Em Cristo,
Itamar Carrijo

sexta-feira, 31 de maio de 2013

COMO CALAR O ACUSADOR

Todos, de uma forma ou de outra, passaremos por provas terríveis, financeiras, sentimentais e espirituais. Mas há algumas lições que podemos aprender com a acusação.

Satanás examina cinco coisas a respeito de . Assim, faz a cada um de nós. Estamos na mira do diabo e ele sempre está atento para ver as nossas fraquezas e nos acusar diante de Deus e encontrar brechas para atacar. "Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar;" (1 Pedro 05:08)

1 - O diabo está observando!
Satanás inspeciona a conduta de
- Ele sabia tudo sobre e sua vida pessoal.
- Ele estudava seus hábitos. Sentar, levantar, falar.
- Ele ouvia as palavras que falava.
- Ele sabia como ele se conduzia vinte e quatro horas por dia.

2 - Como você tem tratado tua família, tempo, carinho,paciência ? O diabo está olhando!
Satanás aprendeu tudo sobre a família de .
- Ele via como agia em sua casa e fora dela. Filhos, esposa, trabalho.
- Ele conhecia os relacionamentos de e sua família. Brigas, discussões, tom de voz.
- Como ele tratava seus familiares.

3 - Dízimos, ofertas. O diabo tá de olho! Seu carro, cor, ano. Qual velocidade dirige, respeito no trânsito etc.
Satanás fez um estudo detalhado das posses de .
- Ele sabia de tudo o que possuía: quanto ouro, quanta prata, quantos animais, quanta terra etc...

4 - Mulheres, relaxo, indiferença, dinheiro. 
Satanás estava atento ao trabalho de .
- “A obra de suas mãos abençoastes
- Ele sabe como você reage às pressões do trabalho.
- Ele também está trabalhando enquanto você está trabalhando.
- Ele conhece tua obra ministerial.
- Ele tenta te amarrar.

5 - Mentiras, fofoca, crítica, murmuração, conflitos, rebeldia. Isso ajuda satanás.
Satanás observa a influência social de .
- O testemunho fala mais alto que as palavras.
- Os compromissos financeiros, os bens, quanto gasta e investe.
- A palavra. Sim sim , não não.

Para que você seja realmente feliz, aprenda a se conhecer. Pois o diabo vai usar de tudo para te pegar. Não acredite em tudo o que falam a seu respeito. Não se deixe impressionar com falsos elogios, nem com críticas infundadas. Seja você! Descubra o que tem de bom em sua intimidade e valorize-se. Ninguém melhor do que você para saber o que se passa na sua alma. 

Procure estar bem com a sua consciência, sem a neurose de querer agradar os outros, pois os outros nem sempre dão valor aos seus esforços. A leitura da Bíblia Sagrada e uma simples oração com Deus são excelentes ferramentas de ajuda. Mergulhar nas profundezas da própria alma em busca de si mesmo é uma arte que merece atenção e dedicação. Quando a pessoa se conhece, podem emitir dela as opiniões mais contraditórias que ela não se deixa impressionar, nem iludir, pois sabe da sua realidade. 

Por vezes, somos invadidos por mentiras e acusações sobre algo que não fizemos e não praticamos vindas da família, pessoas próximas e até intimas demais. Choramos muito, numa provação bem dentro de outra provação. Acusações do tipo: “Foi você e pronto, seu mentiroso, cala essa boca, nem deveria abrir essa boca maldita para se defender”.

Devemos levar em conta que para ouvir isso do acusador ele deve ser puro, caso contrario, a opinião de alguém só deve fazer sentido e ter peso, se esse alguém estiver realmente interessado na sua felicidade e no seu bem-estar. Nenhuma opinião que emitam sobre você, deve derruba-lo. Da mesma forma, os elogios levianos não acrescentam nada além do que você é, e as críticas negativas não tornarão você pior. 

Busque sempre a Deus, pois se o acusador for verdadeiramente de Deus, nunca vai julga-lo e sim pedir direção a Deus. Esposa que é esposa não julga, não acusa. Ora. Amigo que é amigo, irmão que é irmão, nunca aponta o dedo diante de histórias que alguém contou. 

Mas lembre-se: seja exigente para consigo, e indulgente para com os outros. Eis uma fórmula segura para que você encontre a confiança e a segurança necessárias ao seu bem-estar efetivo. E jamais esqueça que a verdadeira elegância é a do caráter, que procede da alma justa e nobre. Pense nisso, e liberte-se do jugo da opinião dos outros.

Adaptação: Cegueira Espiritual

Em Cristo,
Itamar Carrijo

sábado, 13 de abril de 2013

Humildade 04de05

“Comer mel demais não é bom, nem é honroso buscar a própria honra. Como a cidade com seus muros derrubados, assim é quem não sabe dominar-se.” (Pv 25.27-28)

Os privilégios geralmente acompanham a liderança bem-sucedida. Muitos líderes gostam de estar no controle, de tomar decisões que influenciam a organização inteira, de delegar a implementação de suas decisões, de ocupar uma sala de canto ou no topo do prédio, de “dar as cartas”, de ver que os outros demonstram respeito por eles nas reuniões e de coisas semelhantes. A ascensão quase sempre sobe também à cabeça.

Como líder, o rei Salomão desfrutou de todas essas vantagens e muito mais. Como poucos lideres antes ou depois dele, possuía riquezas, poder, sabedoria e servos à vontade. Governantes viajavam grandes distâncias para ouvir sua sabedoria, e outros empreendedores vinham maravilhar-se com suas riquezas. Mas, dessa posição elevada, Salomão adverte-nos de que “nem é honroso buscar a própria honra”. Fazer isso é comer mel demais. Mesmo que seja doce e muito saudável quando ingerido em porções adequadas, o excesso de coisas boas o deixará doente – e enjoado.

A honra acompanha o trabalho bem feito. Se o líder for eficiente, receberá toda a honra que é capaz de suportar. Mas quem precisa buscar honra está com a mão na colméia errada. Salomão aprendeu que o esmero na realização de um trabalho é o caminho para conquistar a honra. Concentrar a atenção na honra prejudica o bom uso do tempo e da energia necessários para um trabalho bem feito.

O que você escolhe: a espiral ascendente ou a espiral descendente? Não é “honroso buscar a própria honra”. Fazer isso tornará você uma pessoa doente.

Em Cristo,
Itamar Carrijo

A Tua graça me basta

Deus, eu me abandono em Tuas mãos. Vira e revira esta argila como o barro nas mãos do oleiro. Dá-lhe forma e depois a esmigalha como se esmigalhou a vida de João, meu irmão.


Manda, ordena. Que queres que eu faça?

Elogiado e humilhado, perseguido, incompreendido, caluniado, consolado, sofredor, inútil para tudo, nada me resta senão dizer a exemplo de tua mãe: ‘Faça-se em mim, segundo a tua palavra’.

Dá-me o amor por excelência, o amor da cruz, não o da cruz heroica que poderia nutrir o amor próprio; mas o da cruz vulgar que carrego com repugnância, daquela que se encontra cada dia na contradição, no esquecimento, no insucesso, nos falsos juízos, na frieza, nas recusas e nos desprezos dos outros, no mal-estar e nos defeitos do corpo, nas trevas da mente e na aridez, no silêncio do coração. Então somente Tu saberás que Te amo, porque sondas meu coração, embora eu mesmo nada saiba. Mas isto me basta.

by Jeferson Queiroz

Em Cristo,
Itamar Carrijo

sexta-feira, 22 de março de 2013

A Igreja é Lugar para Fracos

“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas… Porque quando estou fraco, então, sou forte” (2 Co 12.9,10).

Às vezes, temos a impressão de que a conversão e o batismo no Espírito Santo nos tornam fortes. Pensamos que nossas fraquezas e vulnerabilidades humanas são eliminadas pelo poder do Espírito. Mas isso não é verdade.

O ambiente mais propício para o Espírito Santo operar é aquele em que o homem admite sua fraqueza e inutilidade. É possível ser tremendamente usado por Deus e, no mesmo instante ou logo após, sentir-se extremamente frágil e sem forças. Não há nenhuma contradição nessa situação, porque o “meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”.

Olhemos por um instante para a condição dos apóstolos antes de serem batizados no Espírito, durante os anos em que andaram com Jesus e foram enviados por Ele, de dois em dois, para curar os enfermos, expulsar os demônios e ressuscitar os mortos (Mt 10.01,08). Apesar de serem usados por Deus com tanto poder e autoridade, descobrimos depois que ainda não eram nem convertidos! No fim, Jesus disse a Pedro: “Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos” (Lc 22.31,32).

O senso comum nos faz pensar que há uma progressão de maturidade na vida cristã e, somente quando atingirmos alguns dos níveis mais avançados, poderemos ter o tipo de poder que os discípulos tinham antes de se converterem. Mas Deus gosta de contrariar nosso senso de lógica humana.

Depois que os apóstolos foram batizados no Espírito, vemos uma mudança notável em todo o seu comportamento e maneira de ser. Ao invés de serem os caipiras medrosos, covardes, incrédulos, ambiciosos e tapados que vemos durante todo o período do ministério de Jesus, agora são corajosos, cheios de fé e compreensão dos mistérios de Deus, e enfrentam os líderes máximos da nação sem o menor sinal de hesitação ou temor.

Com certeza, o derramamento do Espírito muda a natureza humana e torna possível manifestar a vida divina como Jesus a manifestava quando estava aqui. Dito isso, porém, somos obrigados, através da leitura de Atos e das epístolas de Paulo, a admitir que a fraqueza humana não foi eliminada pelo batismo no Espírito. O mesmo homem, cuja sombra curava os doentes e cuja palavra fulminou Ananias e Safira, se mostra pusilânime ao extremo diante de preconceitos sociais. Apesar de não ter nenhum problema de consciência em comer com os irmãos gentios, Pedro se afastou deles quando chegaram alguns irmãos importantes de Jerusalém, e Paulo, um ministério muito mais novo que ele, teve que repreendê-lo por sua incoerência (Gl 02.11-14).

A igreja primitiva, em toda a sua glória e beleza, ainda manifestava as limitações e fraquezas humanas. Havia murmuração das viúvas helenistas porque estavam sendo esquecidas nas distribuições diárias, certamente por causa de algum preconceito étnico. Havia muitas coisas que os apóstolos não entendiam claramente e tinham que seguir em frente, tropeçando e cambaleando, seguindo a direção do Espírito. Isso não deve nos desanimar. Pelo contrário, deve nos encorajar a ir além, sabendo que Deus gosta de conceder o Seu poder a vasos fracos e incompetentes.

Por outro lado, isso deve nos trazer um alerta bem forte: aquele que pensa que está em pé, tome cuidado para que não caia. Quem se sente forte não precisa orar, não precisa se cercar de irmãos e amigos para acompanhar seus passos e se intrometer em sua vida. São somente os fracos que precisam tomar esses cuidados.

A igreja gloriosa não será uma igreja sem fraqueza humana, sem vulnerabilidades expostas, sem limitações ou dúvidas. De forma alguma. Será, isso sim, composta por um povo no qual todos se sentem fracos e necessitados, verdadeiramente pobres de espírito, e que, justamente por causa disso, vivem em oração e em interdependência. Será uma comunidade em que todos se sentem responsáveis uns pelos outros e todos dão o direito aos outros de os repreenderem na medida em que isso se fizer necessário.

Deus vai envergonhar Satanás cabalmente através de um povo que não só é fraco, mas sabe que é fraco. O Seu poder e a Sua glória serão aperfeiçoados no meio da nossa fraqueza. A força que nos levará à vitória não será pelo fato de termos um tanque enorme de combustível, e sim por que, apesar de termos um tanque minúsculo, temos acesso constante a um imenso reservatório celestial. Se quisermos fazer parte daquilo que Deus pretende fazer nesses últimos dias, precisamos aprender logo essa lição.

A igreja não é lugar para fortes! Somente os fracos podem sobreviver nela. “Ele dá força ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os moços certamente cairão. Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças, subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão”(Is 40.29-31).


Em Cristo,
Itamar Carrijo

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Humildade 03de05

“Venham a mim, todos que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30) 

Ao contrário dos fariseus, Jesus é “manso e humilde de coração” e oferece descanso às almas cansadas que se aproximam dEle para aprender. A humildade de Jesus era evidente em sua perfeita obediência à autoridade e vontade do Pai. Cristo “aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu” (Hb 05.08) e sempre buscou a glória do Pai, e não a Sua

Jesus resumiu sua declaração de propósito da seguinte maneira: “ ... o filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido” (Lc 19.10). “Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10.45). Uma coisa é alguém dizer que é servo, outra é ser tratado como tal. Jesus Cristo, o homem mais poderoso a andar na face da terra, foi também o mais humilde que aqui viveu. Sua filosofia de trabalho nunca foi promover a Si mesmo, mas agradar ao Pai por meio do amor e do serviço prestado aos outros. 

A encarnação de Jesus foi, em si mesma, um ato tremendo de humildade, e mais ainda podemos dizer de sua morte na cruz. Em Filipenses 02.05-11 temos um vislumbre de como a humilhação de Cristo precedeu sua exaltação: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se de si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz! Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o Nome que está acima de todo nome, para que ao Nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai”

Por saber quem era, Jesus estava seguro de Si para servir aos outros: “Jesus sabia que o Pai havia colocado todas as coisas debaixo do seu poder, e que viera de Deus e estava voltando para Deus; assim, levantou-se da mesa, tirou sua capa e colocou uma toalha em volta da cintura. Depois disso, derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos Seus discípulos, enxugando-os com a toalha que estava em Sua cintura” (Jo 13.03-05)

Pensando em você, responda à seguinte pergunta: 
- De que maneira a compreensão que você tem de sua identidade se relaciona com a questão da humildade em sua vida? 

Em Cristo
Itamar Carrijo

Personagens Bíblicos: 014 - Balaão

BALAÃO 

A pessoa íntegra é no interior o que representa no exterior. Pela sua conversa, podemos ter uma ideia de seu caráter. Balaão não era um profeta íntegro. Talvez fosse um profeta apóstata ou um falso profeta subjugado por Deus. Ninguém sabe com certeza. Assim como ninguém sabe o que uma pessoa realmente representa se lhe falta integridade. 

Na aparência, Balaão parecia devotado a Deus. Quando Balaque, rei de Moabe, tentou contratá-lo para amaldiçoar Israel, o profeta desobediente declarou: “Mesmo que Balaque me desse seu palácio cheio de prata e de ouro, eu não poderia fazer coisa alguma, grande ou pequena, que vá além da ordem do Senhor, o meu Deus” (Nm 22.18). Mas essas palavras não refletiam o que estava em seu coração. Antes disso, quando os enviados de Balaque o procuraram com uma oferta de recompensa financeira para lançar maldição sobre Israel, Balaão mostrara-se interessado, pedindo aos homens do rei que esperassem até a manhã seguinte para lhes dar a resposta (Nm 22.07-08)

Mas o profeta submeteu-se a Deus, e o desejo do Senhor prevaleceu sobre suas paixões materialistas. Deus enxergava o mal no coração dele, e não só o Senhor: diversos escritores sagrados descrevem Balaão em termos depreciativos (Nm 31.08,16; Dt 23.05,06; Js 13.22; 24.09; Ne 13.02; 2Pe 02.13-16; Jd 11; Ap 02.14). Até a jumenta do profeta sabia que não era bom negócio ir contra a vontade de Deus (Nm 22.21-31)

Precisamos aprender que o diálogo com Deus não faz ninguém temente à Ele. O temor a Deus nasce do coração dedicado ao Senhor e, quando nosso coração pertence a Ele, nossas palavras demonstrarão essa realidade. Afinal, essa é a marca da integridade. 

Em Cristo
Itamar Carrijo.